ÁREA DO MÉDICO

PANDEMIA E CÂNCER

Você sabia que durante a pandemia da Covid-19 muitos diagnósticos de câncer deixaram de ser realizados? Estudos da SBCO apontaram que houve redução de 70% nas cirurgias de câncer.

Nesse momento de retomada em algumas cidades, muitos pacientes têm chegado ao tratamento com fases mais avançadas da doença. Sabemos que, quanto antes houver diagnóstico, maiores probabilidades de cura o paciente tem.

A definição dos pacientes que devem realizar rastreamento pré-operatório para infecção por Covid-19 não é tarefa simples. Devido à grande limitação no conhecimento sobre o desenvolvimento da epidemia, em especial no Brasil, faz-se necessário, acima de tudo, o uso de bom senso. O American College of Surgeon (ACS) sugere que localmente sejam desenvolvidas políticas de testagem para pacientes. Segundo o ACS, o uso de RT-PCR pode ser considerado para todos os pacientes com planejamento de cirurgia ou em pacientes selecionados após o rastreamento, com ou sem quarentena pré-operatória.

Cirurgias de risco para contaminação são aqueles procedimentos em que a equipe de cirurgia está exposta a secreções respiratórias, em especial. Por exemplo, cirurgias de cabeça e pescoço, acessos vasculares centrais e cirurgias torácicas. Nessas cirurgias, a cautela adicional no rastreamento das equipes está relacionada à proteção das equipes. Outros procedimentos podem ser enquadrados nesses casos, a critério dos hospitais e suas equipes cirúrgicas. A triagem clínica consiste na avaliação realizada antes da internação do paciente para a cirurgia, seguindo as recomendações do capítulo “Mantendo das vias livres de Covid”. O isolamento social deve ser estimulado quando possível. Pacientes candidatos à cirurgia oncológica devem ser orientados a permanecer em isolamento social por pelo menos 14 dias antes da cirurgia. Deve-se reforçar que, caso tenha contato com paciente suspeito ou confirmado de Covid, precisa comunicar imediatamente ao hospital e aguardar completar 14 dias para realização da cirurgia. Sugerimos que os pacientes sejam submetidos a PCR para Covid até 48 horas antes de cirurgia. O uso de pesquisa de anticorpos tipo IgM é controverso, assim como a realização de hemograma e outros exames sorológicos.

Não há indicação formal de tomografia de tórax como método de rastreamento em pacientes assintomáticos, embora instituições livres de Covid na Europa e na China recomendem seu uso em situações excepcionais em área de alta prevalência. Por isso, na indisponibilidade dos métodos anteriores, consideramos aceitável a realização de tomografia de tórax 24 horas antes da internação, já que o exame se mostrou capaz de diagnosticar 54% dos casos assintomáticos. Caso o exame de PCR e IgM sejam positivos para Covid ou a tomografia de tórax demonstre achados sugestivos de infecção de etiologia viral, o paciente assintomático deve ter o procedimento postergado e seguir orientação especial para o seu quadro. O reagendamento do procedimento deve seguir o mesmo procedimento definido para casos sintomáticos (ver acima). Caso seja negativo para os testes anteriores, o paciente segue normalmente para cirurgia ou outro tratamento oncológico, e as equipes podem usar equipamento convencional de proteção, exceto anestesistas e intensivistas. Estes devem seguir as orientações sobre equipamentos de proteção das suas respectivas sociedades médicas e da ANVISA.

Consideramos que idealmente cada hospital deverá desenvolver políticas de testagem, levando os seguintes fatores em consideração:

1. Prevalência de Covid na região;
2. Porte cirúrgico;
3. Idade e comorbidades do paciente;
4. Risco de exposição da equipe cirúrgica ao vírus;
5. Disponibilidade de testagem para Covid;
6. Disponibilidade de EPIs.


Fontes:
https://sbco.org.br/2020/04/20/vias-livres-de-covid-19/
https://link.springer.com/article/10.1245/s10434-020-09098-x



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